GINA 2026: o que mudou e o que não mudou na população adulta?
No dia mundial da Asma (05 de maio), o comitê do GINA (Global Initiative for Asthma) publicou o documento das diretrizes de 2026 para diagnóstico e manejo da asma para adultos e na infância. Algumas alterações foram muito mais refinamento do que realmente uma mudança maior em relação ao GINA de 2025: a dose de Salbutamol para manejo na exacerbação de asma em casos leves a moderados é mais conservadora devido a evidências crescentes de tratamento excessivo e potencial desenvolvimento de acidose láctica, que leva à hiperventilação e interpretação equivocada de que paciente está piorando a despeito do uso do SABA, levando à repetição de doses de salbutamol sem necessidade. O sugerido para casos leves é 4 puffs de Salbutamol, moderados recomenda-se 4-6 puffs de Salbutamol e 4 puffs de Ipratrópio por pMDI + espaçador e casos graves, 6-10 doses de Salbutamol + Ipratrópio. Além disso, o fluxograma do GINA 2026 (figura 1) ficou mais completo em relação ao de 2025 (figura 2). Além disso, como podemos observar na Figura 2, para casos leves, a combinação CI-formoterol tornou-se opção para alívio dos sintomas na sala de emergência/ Pronto-Socorro, até com o objetivo de introduzir o dispositivo para os pacientes e manter a terapia MART (Maintenance-and-reliever therapy) na alta hospitalar. Ainda sobre exacerbação aguda de asma, recomenda-se, quando disponível, a realização de espirometria ou Pico de Fluxo Expiratório (PFE) para todos os pacientes, exceto pré-escolares e apresentações com ameaça à vida, na chegada e novamente no momento de alta, reforçando a importância da exacerbação como estratégia de confirmação diagnóstica.
Além disso, o GINA reforçou que considera como resposta broncodilatadora positiva os critérios adotados pelos guidelines de 2005 da ATS e ERS: pacientes com sintomas respiratórios típicos para asma com aumento de 12% ou mais e 200 mL ou mais de VEF1 em relação ao basal ou, se espirometria indisponível, aumento de 20% do PFE após broncodilatador. O receio é de que adotando os critérios da força tarefa ATS/ERS de 2022 de aumento de 10% do valor predito basal, haja pacientes com sintomas respiratórios importantes que não sejam creditados como responsivos ao broncodilatador e, eventualmente, não recebendo diagnóstico de asma ou tratamento adequado.
Com os resultados do estudo BATURA, demonstrando que o uso de CI-formoterol reduziu o risco de exacerbações pela metade quando comparado ao SABA, de forma isolada ou combinado a CI ou antagonista de receptor de leucotrieno nos pacientes no Step 1; portanto, para pacientes que estão no Track 2, a recomendação para medicação de alívio atualmente também é a terapia MART e se no Step 1, uso de CI-formoterol conforme necessidade (figura 3). Em relação aos biológicos, foram adicionadas duas medicações: um biossimilar genérico do Omalizumabe, o Omalizumabe-igec, que tem as mesmas indicações do anti-IgE, e o Depemokimab, anti-IL5 de ação longa (dose a cada 26 semanas), para pacientes com asma grave eosinofílica a partir de 12 anos.
Novas ferramentas para avaliação de controle da doença também foram incorporadas no GINA. Na população adulta pode-se utilizar o CAAT (Chronic Airways Assessment Tool), desenvolvido a partir do CAT, que promove uma avaliação ampla dos sintomas respiratórios e o prejuízo na qualidade de vida do paciente, tanto para asma quanto para DPOC. Por fim, o GINA 2026 reforçou a importância das vacinações para Influenza, Covid-19 e VSR, explorou sobre a possibilidade de efeito terapêutico do uso de agonistas de receptores de GLP-1 na obesidade associada à asma. E você, já conferiu o GINA 2026? Tem alguma dúvida? Mande para gente!

Figura 1. Traduzido e adaptado do GINA 2025.

Figura 2. Adaptado e Traduzido do GINA 2026.

Figura 3. Adaptado e Traduzido do GINA 2026
Referências Bibliográficas
- GINA 2025.
- GINA 2026.
Homero Rodrigues dos Passos, pneumologista pelo HCFMUSP, Fellow de Doenças de Vias Aéreas.




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