GOLD 2026: o que temos de novidades e o porquê
O GOLD 2026 trouxe novidades em relação à classificação da DPOC e para quem não está acostumado com a doença, pode parecer “somente” mais uma mudança para confundir a cabeça dos médicos, mas na verdade existe um bom motivo por trás disso.
Uma das principais alterações em relação ao GOLD 2025 é a mudança do limiar de exacerbações que coloca o paciente no grupo E: antes eram pacientes com 2 ou mais exacerbações moderadas nos últimos 12 meses ou 1 hospitalização por exacerbação da DPOC, atualmente basta 1 exacerbação moderada a grave nos últimos 12 meses para ser considerado um paciente exacerbador. Exacerbação moderada é a que necessita de antibiótico e/ou corticoide sistêmico, além de ajuste de broncodilatadores de curta duração. Atualmente entendemos que mesmo uma exacerbação nos últimos 12 meses, mesmo sem necessidade de hospitalização, representa atividade de doença na DPOC, aumenta o risco de eventos adversos futuros e esse paciente tem maior risco de piores desfechos do que o paciente sem exacerbações no mesmo período. O objetivo é atingir um estado de baixa atividade, ou seja, de zero exacerbações.
A exacerbação da DPOC representa um risco aumentado à saúde do paciente em diversas frentes: é o maior fator de risco para uma nova exacerbação futura, há um risco aumento de eventos cardiovasculares (AVC, infarto agudo do miocárdio, arritmias, insuficiência cardíaca) nos primeiros 30 dias após episódio e que pode se estender, em menor escala, até 90 dias após exacerbação. Além disso, um episódio contribui para um declínio mais rápido de VEF1 e implica em pior qualidade de vida para os pacientes. Em suma, a mensagem do novo GOLD é: paciente que tem uma exacerbação moderada nos últimos 12 meses está em maior risco que o paciente que não exacerba e a atenção e medidas preventivas devem ser consideradas conforme o perfil do paciente, devendo individualizar o tratamento.

Tabela adaptada do GOLD 2026
Referências Bibliográficas:
- GOLD 2026.
Homero Rodrigues dos Passos, pneumologista pelo HCFMUSP, Fellow de Doenças de Vias Aéreas.

PneumoPapers

PneumoPapers
PneumoPapers
PneumoPapers
Deixe uma resposta
Want to join the discussion?Feel free to contribute!